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Estudo do IST diz que privados são melhores a gerir a água

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Os operadores privados são mais eficazes a investir, prestam serviços de qualidade superior e, nas mesmas condições dos públicos, podem oferecer soluções mais em conta. Estas foram as conclusões do mais recente estudo sobre os serviços de abastecimento de água e saneamento de águas residuais (SAAS).

“Noutros países europeus, graças aos incentivos da administração pública, há operadores públicos que são mais privados do que os privados portugueses”, argumenta Rui Cunha Marques, professor catedrático do Instituto Superior Técnico (IST) e autor do estudo “Análise do Desempenho dos Operadores Privados e Públicos no Sector da Água em Portugal”.

Rui Cunha Marques defende que a administração pública portuguesa é das mais rígidas da Europa e, por isso, “torna-se difícil gerir bem”. “Em Portugal, quando se afirma que o privado tem um melhor desempenho do que o público, não se pensa quais foram as bases do estudo, mas que os resultados estão necessariamente deturpados e associados a uma ideologia política de direita”, reprova.

Face às “reservas” que se instalam relativamente ao privado, o secretário de estado do Ambiente, Carlos Martins, sublinha ao PÚBLICO que se devem a “alguns casos de grande tensão” entre os municípios e as entidades concessionárias. Mas se é certo que há casos de mau desempenho, considera que não se pode fechar os olhos a “casos de sucesso e de reconhecido bom serviço e desempenho global”.

Ainda que o estudo tenha sido solicitado pela Associação das Empresas Portuguesas para o Sector do Ambiente (AEPSA) - órgão que representa e defende os interesses colectivos das empresas privadas ligadas à área do ambiente – o professor catedrático do IST sublinha que as suas conclusões não dizem que “o privado é melhor do que o público do ponto de vista ideológico ou partidário”.

“Analisei a performance dos operadores públicos e privados com base nos dados oficiais da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), contas e relatórios publicados, e tentei perceber quais as virtudes da participação de entidades privadas neste mercado”, explica.

Revela ainda que este é dos poucos estudos, “mesmo à escala internacional”, em que houve a preocupação de aproximar os dois tipos operadores do sector das águas, privados e públicos, através de uma análise comparativa que clarifica e explica o que os diferencia.

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